24/11/2011

tic tac tic tac


quando cheguei naquele ocaso

por acaso atrás do tempo, do siso

um vento torto encapetou minhas velas

bem naquela hora que dizem ser mágica

afoguei-me nos teus olhos



vim para acalmar tempestades

alisar os mares em que cismas

soprar a neblina dos sofismas

não fiz nada.

Assim, sem querer, morri.



era quase noite

nuvens magenta se arrastavam

minha nau aportava em teus olhos insones

tu chamaste e eu corri

desastrada tropecei

e caímos enredados

abraçados nas promessas



tantas!

doidas!

imensas!



queria salvar-te e soçobrei

danem-se! Minhas culpas e intenções enfermas.



era tão tarde, ninguém viu

a mãe terra seguiu girando em seu fuso

gamos-rei vagueavam órfãos

vagávamos também atrás do tempo, tempo que vinha

tempo que foi sem ter sido



tic tac tic tac



beijávamos dias a fio

enfastiados dessa tarde inteira

desse acaso sem fim

fechávamos os olhos mudos

fugíamos da luz

driblávamos a escuridão



a lua escorregava sem pressa

e chegava quando dormias

perdido e desabado na noite que caía

sorrias dentro dos espelhos



avessa e cansada entrevia futuros

visagens inúteis



morri nos teus olhos numa tarde qualquer

beijei teu sorriso que o breu comia

ele partiu-se

cacos de riso tilintam pelos cantos

guardados na antessala vazia



a luz respinga em mim

pinta negrumes dissonantes

poemas rendados na pele nua

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