-----------------------------Eduardo Perrone----------------------------------
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Voava. Sim... Voei muito.
Tal rei daquilo que hoje lembro,
Fui membro -atuante- da legião errante
Dos que amaram - tanto e bastante-
E que conseguiram perder
A visão do mundo
Que girava sem pedir licença.
Voava junto com a inocência
Dos que crêem ser possível
Uma nova forma de carinho sem fronteiras,
Uma nova forma de ter , por inteiras,
As partículas das lembranças
Interagindo com a arte
Que elegi.
Voei, mergulhando sem medo,
Como se um pó magico assumisse o controle,
Como se a saudade pudesse virar algo
Que não fosse saudade...
Voei em toda a velocidade
Para dentro desta idade
Que hoje -súbito- percebi passando.
Voei para longe do que vivi,
E não me recuperei, nunca mais,
Desta espécie de fobia.
Voei para longe da que sabia
Que dentro de mim
Havia muito mais
Que músculos e palavras vadias,
Todas elas benditas ao pé do ouvido...
Voei para bem perto
De um certo infinito,
Lá de onde um só grito
Reverbera toda a minha ânsia.
E voava... Com a empáfia dos adultos,
E a grandiloqüencia de uma criança,
Pois só assim aprendi
A diferença entre o que fora a inocência,
E o que haveria de errado
Em tudo aquilo
Que podesse existir.

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